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20.08.15
Liberdade de improvisação do jazz de Makoto Kuriya brilha no Sesc Pompéia
A 5ª edição do Jazz na Fábrica, realizado no mês de agosto, pelo Sesc São Paulo, contou com 30 apresentações, nacionais e internacionais, e uma mistura entre influências musicais dos artistas, aliado ao improviso livre e criativo dos grupos.
O Diretor Regional do Sesc São Paulo, Danilo Santos de Miranda, afirma que o festival reúne um panorama instigante, que revigora a percepção do gênero:
– Ele abraça tanto tendências atuais quanto os representantes do tradicional. Há, ainda, reinvenções e novas experimentações com outras possibilidades estéticas, sem abrir mão do sotaque jazzístico.
Dentre as diversas atrações, uma delas veio diretamente do Japão para tocar no dia 19: o Makoto Kuriya Creative Jazz Ensemble, formado por Makoto Kuriya (piano), Gennoshin Yasui (percussão), Koichi Osamu (baixo), Hidenobu Otsuki (bateria) e Jiro Yoshida (guitarra).
A sensação que se tem com a apresentação do grupo, liderado por Makoto Kuriya, é como se todos os sentimentos existentes em um ser aflorassem a cada música interpretada, um mergulho profundo sob a alta e baixa energia transmitida através dos instrumentos harmoniosos, regidos por quem realmente ama o palco e a arte a música.
– Eu acredito na força da música para aproximar os países e as diferentes culturas. Acredito que o jazz tem uma linguagem universal, livre e isso facilita na expressão das emoções e o público consegue sentir de uma forma direta e instantânea. Por isso, a expressão, através do jazz, é muito valiosa – explica Makoto Kuriya.
O show contou com a participação de dois importantes artistas brasileiros: Teco Cardoso (sopros) e Monica Salmaso (voz), que somaram perfeitamente à apresentação dos japoneses. A cantora até preparou uma música, em japonês, para interpretar juntamente com os músicos.
– Tempos atrás encontrei com uma amiga cantora e ganhei um CD que ela gravou em japonês. Uma das músicas me chamou muito atenção, gostei bastante e quis cantar nesse dia – explicou Monica Salmaso, que é bastante conhecida no Japão.
O percussionista, Gennoshin Yasui, afirmou ser de uma geração em que os próprios pais já ouviam artistas estrangeiros. Ele contou sobre a apreciação que tem pela música brasileira e suas influências.
– Nossos pais já ouviam artistas latinos e, na infância, já tínhamos contato com a música brasileira. A Bossa Nova é muito conhecida no Japão. Eu ouço João Gilberto, Sergio Mendes e Villa Lobos – explicou Yasui.
Outro ponto alto do show é quando os músicos estão no auge da energia da música, da improvisação, e transmitem a plena realização e satisfação pelo que apresentam no palco. Eles gritam, pulam e o coração da plateia chega a inflar, de tanta emoção compartilhada num pequeno espaço. Dá pra imaginar quantas calorias os artistas perdem a cada show?
– Na música clássica, erudita, dizem que os músicos costumam perder de 2 a 4 quilos, porém, no nosso caso não perdemos tanto, pois mesmo emagrecendo, nós repomos tudo bebendo – brincou o percussionista.






