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27.06.19

Yasutoshi Miura no futebol brasileiro: adaptação difícil, mas gratificante

Dois dias após a eliminação da Seleção Japonesa da Copa América, o futebol do Japão foi tema principal da palestra “Os atrativos do futebol japonês e brasileiro pelos jogadores”, promovida, nesta quarta-feira, pela Japan House São Paulo e pelo Consulado Geral do Japão em São Paulo.

Participaram deste encontro Levir Culpi, Careca, Bismarck, Washington Cerqueira, o japonês Yasutoshi Miura e César Sampaio, que mediou o bate-papo descontraído, cheio de recordações sobre a passagem destes esportistas pelo Japão.

Com uma plateia cheia de amigos, incluindo a presença do atual técnico do ABC, Sérgio Soares, que também atuou no futebol japonês como jogador do Kyoto Sanga (1996) e treinador do Cerezo Osaka (2012), o público se divertiu com as experiências dos brasileiros, em uma terra, então, desconhecida.

– Nunca imaginei ir para o Japão, queria ir para a Europa. Achava que se fosse para o Japão, acabaria toda a possibilidade de desfrutar a Copa do Mundo e comecei a fugir dos diretores do Verdy Kawasaki – lembra Bismarck que, posteriormente, admitiu ter feito a melhor escolha:

– Se tivesse ido para a Europa, não sei se seria tão feliz ou teria tanto êxito como tive no Japão. Era tão legal viver e jogar lá, que quando vocês chamam pra vir falar do Japão, acho que não tem quem pense em não ir. Para mim foi uma experiência de vida extraordinária – completa.

Apesar das lembranças positivas dos brasileiros no Japão, o ex-jogador do Santos, o japonês Yasutoshi Miura, confessou ter tido dificuldades de adaptação no Brasil.

– Quando cheguei ao Brasil, realmente as coisas eram bagunçadas, em questões de moral também tinham alguns problemas. Sempre me sentia mal e achava que estava todo mundo me xingando. Foi um momento muito difícil para mim – recorda Miura.

Sem deixar-se abalar pelos percalços da vida, o jogador japonês retornou à sua terra natal com o objetivo de dar a volta por cima e superar-se como atleta. Para Miura, desistir nunca esteve em seus planos e seu maior desejo era de jogar no nível dos brasileiros, que tanto admirava.

– Levei toda a frustração que tive no Brasil para o Japão e consegui crescer com isso, ser profissional no Japão e jogar em grandes times. Tenho uma gratidão muito grande pelo Brasil e por toda essa experiência que passei aqui – conta.

Para Careca que, na década de 90, atuou no Kashiwa Reysol por quatro anos, o Japão proporcionou benefícios não somente para sua carreira no futebol, como também para a formação pessoal de sua família.

– Meus filhos tiveram a oportunidade de estudar em uma escola pública americana em Tóquio, maravilhosa. O respeito, o carinho e a atenção das professoras faziam com que os meninos se sentissem em casa. Foram 4 anos de Japão e sou muito feliz por isso fazer parte da minha história como jogador – relata Careca.

Outro que ganhou reconhecimento da torcida japonesa por sua contribuição ao futebol do país, foi o centroavante Washington, conhecido como Coração Valente. O atual Secretário Nacional do Esporte chegou ao Japão em 2005, para compor a equipe do Tokyo Verdy, mas foi em outro time que ganhou maior destaque.

– Fui convidado para jogar no Urawa Red o qual tenho, hoje, uma identificação muito grande com o clube. Consegui conquistar todos os títulos japoneses com o clube, ser artilheiro dos campeonatos com o Urawa Red, fizemos uma história maravilhosa lá – exalta o jogador.

À frente de um dos cargos mais importantes do esporte no Brasil, Washington afirma ter aprendido muito no Japão e voltado “um pouquinho japonês”. Agora mais organizado e disciplinado, ele pretende aplicar os valores japoneses em suas atividades no Brasil.

– Entendi o que é a cultura japonesa e justamente essa organização, disciplina que aprendi no Japão eu levo nessa função, que é de muita responsabilidade, pois temos um país para cuidar – explica.

Agora aposentado de sua carreira como treinador, Yasutoshi Miura está no Brasil desde fevereiro deste ano e pretende trabalhar fortemente nas relações entre Japão e Brasil.

– Meu trabalho atual é fazer essa conexão entre Brasil e Japão, como se fosse uma ponte com o futebol, times, eventos, além do futebol, com artistas do Brasil e do Japão. Seria muito bom se tiver a possibilidade de fazer essas conexões e terei um prazer muito grande – finaliza.

Confira fotos do encontro:

  • Washington Cerqueira, Yasutoshi Miura e César Sampaio (Foto: Yomitai | Estação Multimídia)
  • Levir Culpi, Careca e Bismarck (Foto: Yomitai | Estação Multimídia)
  • Yasutoshi Miura e César Sampaio (Foto: Yomitai | Estação Multimídia)

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